Por causa dA Dívida – IV

Por causa dA Dívida – IV

Mas o que passou pela cabeça daquela maluca que me serve de mulher? Ontem devia estar mesmo louca para voltar da casa-de-banho a gritar que eu estou um “gatão”, só pode ser isso! Ou então era o desejo que a estava a abafar! Bem sei que sou atencioso com ela no que diz respeito ao sexo… disso nunca ninguém se queixou! E ela adora! Basta ver como se atirou a mim já no carro. Aquela maluca esteve quase a rasgar os bancos com os tacões dos sapatos, foi mesmo por um triz. Estragar o interior de um Bentley Continental GT de menos de um ano, mas que falta de consideração… Eu estava tão … atento ao que ela estava a fazer que não disse nada, mas também não deixei de notar que aqueles sapatos eram novos e devem ter sido caríssimos…

Ela não vai escapar às perguntas sobre o que gastou este mês, logo à noite, quando eu chegar a casa. Fiz as contas esta manhã e a situação não é grave, é catastrófica! Tive de vender a maior parte das ações para aprovisionar a conta corrente, mas o alívio não vai durar. O que chegar à conta só vai servir para pagar os gastos já feitos e não vai sobrar nada. Isto não pode continuar assim! Vou ter uma conversa com ela… e a sério! Se for preciso, tiro-lhe os cartões de crédito! Isso mesmo! É a única maneira daquela gastadora compulsiva se acalmar!

Mas agora não quero pensar nisso. Só me quero concentrar na chegada da Sandra. Ele não deveria tardar. Aquela mulher é fantástica! Inteligente, bonita e … booooa! Que mulher na cama! Ou melhor: que mulher onde quer que o façamos! É que ela gosta de diversidade: no escritório, em cima da secretária, em cima da fotocopiadora, no carro, contra a parece, uuui que bom, no chão… enfim, por todos os cantos. Ela é quente! E eu adoro. Ah, lá está ela a entrar:

– Sandrinha, minha querida! Como vais?
– Meu queridinho! Chega aqui para que eu te beije como nunca te beijaram! Hmmm tive tantas saudades tuas. Já não nos víamos há muito tempo. Não podes deixar-me assim com tantas saudades!
– …..
– …..
– Sim minha linda. Eu sei que não tenho tido muito tempo para ti, mas sabes como é… não te esqueças de que sou casado! E tu sabes como é a Belinha. Ela precisa de mim.
– Sim, sim, eu sei disso. Já falámos da situação. Mas o que eu não compreendo é porque razão tenho a sensação de que ela não é a única na tua vida, além de mim.
– Sandrinha, minha querida, tu sabes bem que és a única. Não te disse eu tantas vezes que só tu contas! Só tu, querida!
– Sim, meu gatinho, eu sei. Desculpa. É só que tenho tantas saudades tuas que por vezes começo a imaginar coisas. Claro que sei que sou a única na tua vida. Claro que sei que o teu casamento é só de aparências, que tu não a deixas porque ela precisa de ti. Desculpa ter duvidado.
– Estás desculpada queridinha. Anda cá aos meus braços para que eu te mostre o quanto tive saudades tuas….

Ai, estou lixado! A Bela não vai aceitar uma desculpa qualquer pelo meu atraso. Há duas horas que eu deveria ter chegado. Vai estar brava! Nem lhe telefono para não começar já a briga! Que desculpa posso eu inventar? Deixa-me cá pensar enquanto conduzo… já sei: fui à joalharia comprar-lhe uma prendinha! Claro, fui esta manhã e não era para ela, mas para a Marlene. Não faz mal, compro outro anel amanhã e dou este à Belinha. Aí está a melhor desculpa! O problema é que, se lhe ofereço uma jóia, não vai ser o melhor momento para lhe falar de dinheiro… mas isso pode esperar. Afinal eu também quero aproveitar a vida! E hoje, aproveitei! E bem!

Dulce Morais

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