Por causa dA Dívida – VI

Por causa dA Dívida – VI

– Não, claro que não! … Pois, isso sim, podemos sempre ir visitar o local, mas agora não. Sabes, ainda vai demorar um certo tempo para que tudo comece a funcionar e que a produção possa iniciar. Os primeiros lucros só serão possíveis, no mínimo, daqui a um ano, mas também pode demorar mais. … Sebastião, claro que isso não se pode garantir! Já viste algum negócio com estas possibilidades de rendimento que não apresente riscos? … Então, estás interessado ou não? … Perfeito! Claro, fala primeiro com a tua mulher. Mas lembra-te: temos de começar em breve. Se tu não te decidires, terei de contactar outras pessoas com menos medo para investir num negócio com tantas possibilidades de sucesso. … Ah! Assim é que eu gosto de conversar. De todas as maneiras, o que é que as mulheres percebem de negócios?! … Assim é que é falar! … Claro o teu primo também pode investir. … Com certeza. Envio-te os documentos todos para assinares e sobretudo os detalhes para que transfiras o valor. … Até este fim-de-semana. Vocês sempre vêm jantar? … Então está combinado, sócio!

Sócio! Grande parvalhão! Nunca pensei que ele iria cair tão facilmente nesta. Que alívio! Com o dinheiro que este bruto vai transferir para a conta que eu abri, em nome da sociedade domiciliada em Singapura e que me pertence, vou poder respirar um tempinho. Claro, a sociedade não tem atividade nenhuma e não haverá lucros. Pelo contrário. Vai falir daqui por dois anos e os investimentos, evidentemente, estarão todos perdidos. Bom, não é muito honesto fazer isto, mas para situação desesperada, solução desesperada. E o parvo do meu cunhado foi tão fácil de convencer. Afinal, ele bem merece ser enganado se confia na primeira pessoa que lhe propõe um negócio tão atraente.

– Um uísque por favor. Pode confirmar o número do quarto que reservei há pouco e trazer-me a chave?
– Com certeza. É para já.
– Muito obrigado.

Já são cinco e dez. A minha queridinha está atrasada. Será que o sonso do marido lhe colocou dificuldades? Ah, lá vem ela!

– Olá fofinha. Correu tudo bem? Conseguiste escapar ao teu marido?
– Olá docinho. Sim, foi fácil. Ele nunca conseguiu perceber quando lhe minto. Coitadinho. Ele ama-me tanto. Acredita sempre em tudo.
– Pois, isso costuma acontecer com os homens que casam com uma mulher vinte anos mais nova utilizando a conta bancária como argumento principal.
– Não digas isso meu malandro. Ele ama-me sinceramente.
– Isso sei eu. Mas tenho a certeza de que não consegue já demonstrá-lo com todo o vigor que precisas e que gostas.
– Claro, lá está! E essa é uma das razões que justifica a minha presença aqui. Além disso, ninguém é tão bom como tu. És incrível docinho. És mesmo!
– Somos incríveis fofinha. Tu sabes que somos bons em conjunto. Querida, queria dar-te uma prendinha. Quando o vi pensei logo em ti! Tive de a comprar. Gostas?
– Oooooooooo Mário! És tão querido! Claro que gosto. É liiiiiindo. Meu queridinho, tu conheces-me tão bem! Sabias que eu iria gostar de Safiras. Obrigada meu docinho.
– De nada minha fofinha. Tu mereces. És tão querida comigo.
– Que bebes tu Máriozinho?
– O que eu bebia agora eras tu!
– Então o que estamos aqui a fazer? Não reservaste um quarto neste hotel?
– Claro querida! Vamos já a correr.

Será que este elevador se vai despachar!? Tenho-lhe uma vontade! É que ela gosta tanto dos nossos exercícios a dois. Nunca diz não a coisas novas e originais. Ai… como ela me excita; vejo a lingerie através da blusa, adivinho a tanguinha debaixo daquela saia apertadinha. Meu Deus, como eu a quero!

– Tu primeiro Marlene querida, entra.
– Obrigada fofinho.
– Mas que estás tu a fazer? Já? Assim, contra a parede querida?! Ah, sim, isso sim, é tão bom…

Porcaria do telemóvel! Quem será que escolheu esta hora para me incomodar? Claro, tinha de ser a Bela! E a ela, não posso deixar de atender, se não ainda há bronca em casa.

– Estou? Belinha, querida, estou numa reunião muito importante, tal como lhe disse esta manhã. … Como? Comprar um quadro novo para o lobby? Sim, claro, compre minha amiga! … Querida, tenho mesmo de voltar para a reunião. … Claro querida, até mais tarde.

– Era a tonta da tua mulher!
– Minha queridinha, não vamos falar dela, pois não? Não queres continuar onde paraste alguns minutos atrás?

Mas que mulher aquela Marlene! Aquilo era tão intenso. Que fera! Eu bem sabia que ela iria gostar do anel e iria agradecer como só ela sabe… Afinal, foi um dia absolutamente perfeito! O parvo do Sebastião caiu na minha história com uma facilidade surpreendente, depois houve a Marlene. Um bom duche depois disto tudo para concluir o dia perfeito e vou dormir descansado pela primeira vez em vários dias, agora que já encontrei solução, mesmo que temporária, para poder pagar as despesas.

– O meu maridinho está no duchinho?! Não quer companhia para terminar bem o dia e recompensá-lo de ter sido tão gentil ao telefone? Não interrompi muito, pois não queridinho?
– Claro que não queridinha! Não interrompeu. Era só mais uma reunião. Claro que gostaria de companhia. Da sua, sempre minha amiga! Sempre…

Dulce Morais

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