Romance d’Aujourd’hui – V – O Momento

O Momento

O beijo trocado assim que a porta fechou é intenso, é longo, é sensual, é sexual. Transmite tudo o que não dizem. Todas as palavras se tornam inúteis. O pequeno-almoço vai esperar. As roupas dela são retiradas apressadamente, com agilidade, pelas mãos ligeiramente trémulas pelo desejo. Os botões da camisa dele não resistem todos à impaciência dos gestos. Os dois corpos oferecidos à vista um do outro estão quentes e ao mesmo tempo percorridos por arrepios. O desejo lê-se, não só nos olhares, nas bocas que se procuram, nas carícias sensuais trocadas, oferecidas, recebidas, num oceano de prazer.

Cada um deles tinha imaginado o que queria dar, o que desejava receber nesse primeiro momento, mas nada é feito segundo o que tinham pensado. Deixam-se guiar pelo momento e oferecem-se, dedicam-se ao outro e à voluptuosidade. O ritmo dos corpos, os suspiros, os murmúrios dela pedindo mais, comunicando o que quer fazer-lhe, acompanham a voz rouca dele, o ritmo das ancas dele sobre ela. Nos momentos em que ele não pode falar, as mãos dela pousam sobre a nuca dele, encorajando, ao mesmo tempo que os lábios pronunciam palavras de êxtase quando as ondas de arrepios a atravessam.

Ela gosta que o seu parceiro a domine, gosta de se oferecer completamente. Ele não se esquece desse facto quando, no momento em que ela se ajoelha para lhe oferecer a sua boca, coloca as duas mãos sobre a cabeça dela e puxa, delicadamente primeiro, depois com mais força, até que o gemido de prazer dela ecoa no quarto ao mesmo tempo que o grito de prazer dele. As mãos no rosto dela, levanta-a para se verem nos olhos:
– Imaginava que fosses incrível, sabia que gostavas de sexo pelas nossas conversas, mas nunca imaginei que fosse tão bom, tão intenso. Dás porque gostas de dar. Aceitas o que te é oferecido com prazer. Comunicas comigo de uma maneira excecional. Adoro estar contigo.
Ela cora ligeiramente ao ouvir as palavras dele, empurra-o de costas para cima da cama, coloca-se por cima dele, e responde:
– Eu também não imaginava encontrar alguém com quem seja tão natural, cujos desejos estejam tão de acordo com os meus. Adoro dar-te prazer porque mostras o que sentes ao recebê-lo. Adoro receber o que me dás porque vejo que o ofereces com gosto.
– Não sei como és com outros homens, tu não sabes como sou com outras mulheres mas, juntos, somos fantásticos, somos harmonia e sintonia.

A água do chuveiro corre sobre a pele dos dois corpos que ainda se acariciam ao recebê-la para limpar o suor da sensualidade partilhada. Depois, embrulhados em duas toalhas brancas que ela tinha colocado na casa-de-banho para o efeito, dirigem-se para a cozinha para um pequeno-almoço. A conversa continua sobre o prazer partilhado, sobre a emoção provocada um no outro, mas também voa para outros assuntos, como está no hábito deles, mas não dura mais de trinta minutos. Recomeçam as carícias, lentamente, cuidadosamente, trocam massagens. Ele quase adormece sob as mãos dela. Quando a massagem para, ele já está novamente tomado pela emoção e quere-a mais uma vez. Ele oferece-se completamente, dá-lhe o corpo sem nenhum pudor. Ele toma-a por inteiro, não deixa de explorar cada parte das formas que ela coloca voluntariamente entre as suas mãos. Depois de mais uma pausa e de outra visita ao chuveiro, é a vez dele de se oferecer completamente. Ela não teme dar-lhe tudo o que a sua imaginação criativa produz. As vozes roucas ecoam pela casa durante inúmeras horas. As posições, a quantidade de vezes, a maneira como fazem o que se segue importam pouco. Não abrem nenhum manual técnico, não dizem frases preparadas. Deixam-se guiar pela emoção, pelo instinto, pela sensualidade do outro.

O sol já vai baixo quando saem do quarto. Decidem ir jantar ao restaurante. Ela está a vestir-se quando nota a janela do quarto aberta. Como nem um nem outro tinha expressado em voz baixa nem as palavras nem os gemidos de prazer, olham-se e dizem em conjunto:
– Os vizinhos devem ter apreciado a banda sonora.

A sobremesa acabou de ser servida quando ele faz a pergunta que ela temia:
– Quando queres que nos voltemos a ver?
– Patrick, não nos vamos ver novamente. Segunda-feira de manhã um voo vai levar-me para a Alemanha. Vou trabalhar lá e não vou voltar.

— FIM —

Dulce Morais

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