Por causa dA Dívida – XVI

Por causa dA Dívida – XVI

– Ventoiiiiinha! Despache-se, homem!
– Para quê, Chefe?
– Encontraram o corpo. Temos que ir andando!
– Mas Chefe, o corpo está à minha frente todos os dias. Não sabia que andavam à procura dele!
– Mas, de qual corpo está você a falar?
– Ora, do seu, Chefe!
– Irrraaa que é burro! É o corpo da morta que temos que ir ver!
– Morta? Morreu alguém, Chefe?
– Morreu. Seu idiota! Temos que ir andando para ver o corpo!
– Está bem, Chefe. Já estamos a caminho, Chefe!

A vítima encontrava-se na sua casa, deitada na cama. Quando os Inspetores Patilhas e Ventoinha chegaram, foi-lhes indicado que, se não estivesse falecida, a vítima estaria de excelente saúde. Nada explicava a morte. A única causa, era que o coração tinha parado de bater.

Inspecionando o computador da vítima, descobriram que se chamava Alice Ferrier. Tinha recentemente aceite terminar a história de um casal, chamados Belinha e Mário. À leitura destes nomes, Patilhas concluiu que os responsáveis pela morte da autora só poderiam ser eles. Insatisfeitos pelo rumo que levava a história contada, tinham-se livrado da incómoda autora. Bastava saber como. Antes de interrogar os suspeitos, seria necessário determinar como o tinham feito. Apesar de não conhecer os detalhes, o Inspetor Patilhas estava absolutamente convencido de que eram eles os culpados.

Durante esse tempo, num café dos mais chiques e caros da cidade, Belinha desfruta a liberdade recentemente recuperada: a de poder novamente gastar dinheiro à vontade.

– Huguinho, que bom voltar a vê-lo! Tive saudades suas. O Huguinho não foi muito leal, mas decidi perdoar-lhe. Mas tem de prometer que a partir de agora se comportará bem! Estamos de acordo?
– Claro, caríssima! Se a Belinha também prometer que continuará a dar-me… toda a atenção que mereço…
– Claro, querido. Despache-se lá de terminar o seu Martini para irmos a sua casa.
– Já está terminado, querida!

Num edifício moderno, ocupado pelos escritórios das maiores e mais lucrativas empresas do mercado financeiro, Mário também aprecia os benefícios da liberdade recuperada.

– Joaninha, que bom teres vindo!
– Queridinho, sabes bem que para ti consigo sempre encontrar tempo disponível.
– Que bom poder sempre contar contigo. Deixa-me beijar-te, amorzinho. Há tanto tempo que tinha saudades tuas…
– Ah, sim, Mário, sim, sim, sim…

Naquela noite, de regresso a casa, os protagonistas da nossa história, decidem ler as últimas linhas da aventura e, horrorizados pela descoberta, gritam o seu desespero.

– Autores? Nossos queridos autores, por favor ajudem-nos!
Que querem, seus malandros!
– Dulce, que bom encontrá-la!
Ah sim? Pensava, pelo contrário, que não iriam gostar de me saber de volta à escrita da vossa história! Não foram vocês que procuraram uma nova autora?
– Hmmm, sim fomos. Estamos muito envergonhados. Por favor, autora, tente compreender-nos. Queríamos só ser felizes e o destino que nos estava a dar…
… não correspondia à vossa ideia da felicidade. É isso?
– Ainda bem que a autora é inteligente. Compreendeu logo o nosso ponto de vista!
Seus desonestos, mentirosos, aproveitadores…
– Pedimos perdão do fundo do coração! Estamos muito arrependidos pelo que fizemos. Acredite em nós, por favor, Dona Dulce!
Não acredito! Esquecem-se de que fui eu que vos escrevi!
– Por favor, faremos tudo o que quiser de nós, mas ajude-nos, por favor!
Ajudar-vos? Como?
– Descobrimos que o Inspetor maluco pensa que fomos nós que matámos a autora que contratámos. Mas não fomos nós! Acredite.
Eu sei que não a mataram.
– Aí sabe? Ainda bem. Mas como tem a certeza?
Mais uma vez, seus idiotas, sou eu que escrevo a história!
– Ah, claro! Parvos que somos. Claro que sabe. Mas então pode dizer-nos quem foi? Assim, quando a Polícia vier interrogar-nos, poderemos dar-lhes informações sobre o verdadeiro assassino e defender-nos.
Posso-vos revelar quem cometeu o crime, mas não vos posso permitir dizê-lo aos Inspetores.
– Mas assim isso não serve para nada! Queremos defender-nos!
Nem o João Paulo, nem eu, os deixaríamos ir para a prisão por um crime que não cometeram.
– Sim, mas se não nos deixar defender, como nos vão tirar desta situação?
Posso dizer-vos um segredo?
– Claro, Dulce.
Isso já não é problema meu!
– Então é o problema de quem?
É o do João Paulo!
– Então vai deixar-nos assim? Sem saber mais nada?
Vou!
– Por favor, Dulce, ao menos diga-nos quem matou a Alice Ferrier!
Isso é fácil. Fui eu!

Dulce Morais

Advertisements
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

3 respostas a Por causa dA Dívida – XVI

  1. Anonymous diz:

    Vou sair bem, minhas amigas. E até tenho surpresas para… VOCÊS!!!! Beijinhos. Jpv

  2. Olá Isa,Obrigada pelo comentário. Espero que os Inspetores malucos não resolvam o caso! Se não, a história não teria fim!Vamos ver de que maneira o JP me saí desta situação!Um beijo.D

  3. Isa E. diz:

    Um assassinato, Dulce? E agora? O que faremos com você? RsrsSorte que Patilhas e Ventoinha jamais desvendarão esse crime. Assim, você fica longe da cadeia e pode continuar a escrever os seus textos aqui no Crazy! E boa sorte ao JP!!! Belinha não vai deixá-lo em paz!Um beijo!

Obrigada pelo vosso comentário!

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s