Por causa dA Dívida – XVIII

Por causa dA Dívida – XVIII

– Chefe, chefe, chefe, venha depressa! Chefe, chefe!
– O que foi seu burro? Não é preciso gritar assim. Estou aqui!
– Chefe, os prisioneiros fugiram!
– O quê? Como assim fugiram? Não estavam com o Brutamontes Quebra-Ossos?
– Estavam, Chefe! Mas fugiram os três. Já não está ninguém na cela!
– Ora esta! Mas como é que eles fizeram?
– Não sei, Chefe! A porta continua fechada e não percebo o que se passou. Pode ir verificar, Chefe. Vai ver que é verdade.

– Ó seu parvalhão! A porta está fechada, certo, mas não viu o buraco enorme no muro?
– Claro que vi, chefe! Mas, nomeadamente, o que tem o buraco a ver com a porta fechada?
– Tem tudo a ver, sua cavalgadura! Foi pelo buraco que eles fugiram!
– Ah, Chefe! Que inteligência, Chefe! Nunca teria adivinhado.
– Claro que não, seu burro!

– Marinho?
– Sim, Belinha!
– Viu quem fez explodir a parede da cela onde estávamos?
– Vi, querida. Foi uma máquina enorme. Sabe, daquelas que utilizam para destruir edificios.
– Mas quem estava ao comando da máquina?
– Isso não sei, mas parecia uma mulher.
– E agora? O que fazemos?
– Belinha, acho que só nos resta uma possibilidade: fugir?
– Fugir? Mas para onde, Marinho?
– Querida, vamos para as Maldivas. Mas primeiro, temos que passar pelo meu trabalho e depois por casa.
– Se temos que fugir, porque razão ir ao seu trabalho primeiro?
– Belinha, vamos fugir, mas para isso precisamos de dinheiro!
– Oh, Marinho, o que faria eu sem si! Sabe, posso não ter sido a mais leal das mulheres, mas eu sempre o amei. Não poderia viver sem o ter a meu lado.
– Belinha, querida, eu também não poderia viver sem si. Por isso é que precisamos de fugir juntos. Juntos vamos conseguir sair desta situação em que os nossos malditos autores nos meteram.
– Marinho, vamos então. Depressa!

– Querida, ajude-me com estas últimas operações para transferir o dinheiro para a nova conta que abri em nosso nome num banco suíço.
– O que posso fazer, Marinho? Não percebo nada de finanças, ainda menos de computadores!
– Belinha, eu não lhe estava a pedir para utilizar um computador. Se me massajar os ombros e conseguir descontrair-me, eu consigo trabalhar mais depressa para nos meter ao abrigo uma vez nas Maldivas.
– Marinho, disso eu percebo! Vá lá, querido, despache-se de transferir esse dinheirinho… ah, pelo que vejo não é dinheirinho, é dinheirão, para a nossa conta!
– Já está, Belinha. Agora podemos ir embora. Os clientes da empresa não vão ficar contentes quando virem que lhes faltam alguns milhões, mas já que fomos acusados de assassinar uma pessoa de maneira perfeitamente injusta, não vejo razão para não roubar alguns milhões para escapar à polícia!
– Vamos, Marinho, vamos!

Os nossos heróis fogem no primeiro avião, para apanhar logo a seguir uma correspondência que os leva até às Maldivas. Escapam assim aos Inspetores Patilhas e Ventoinha, assim como aos autores insensatos desta história.

– Dulce.
Sim, Isa.
– Então a história acaba assim, dessa maneira?
Sim, acaba assim.
– Ainda bem que os salvou!
Era a minha promessa, Isa: se me devolvesse o acesso ao meu blogue, eu tirava-os da prisão. Está feito. Estão salvos e ao abrigo.
– Dulce, como é que o João Paulo vai reagir?
Isa, eu sei que isso é uma preocupação para si. Posso dizer que depois de ter pensado ganhar a nossa pequena batalha de escrita, o João Paulo vai dar uma gargalhada, e vai ter que reconhecer que, afinal, fui eu que ganhei.
– Mas ele não vai ficar zangado?
Não Isa. Não se preocupe. Ele não vai ficar zangado. Isto foi só uma brincadeira entre nós. Ele vai gostar da ideia que tive para conseguir escrever na mesma o final da história.
– Devo dizer, Dulce, que quando me contactou, fiquei preocupada. Não sabia como sair desta história.
Agora viu que foi fácil. Bastou seguir o plano.
– Mas os leitores sabem do plano?
Não. Nem os leitores nem o JP. Mas vão ficar todos a saber quando eu falar como JP.
– Então vá lá falar com ele. Beijinho querida.
Beijinho, Isa. E muito obrigada.

– JP?
– Dulce? Como é possível estares a falar-me ainda nesta história de doidos? Eu tinha ganho quando escrevi o capítulo XVII e que ficou decidido que seria a Isa E. que iria escrever o último!
– Pois, isso foi uma excelente jogada, JP. Só te esqueceste de um detalhe.
– O qual?
– Se a Isa conseguiu contratar um hacker, um pirata do ciberespaço, eu também contratei um e bloquei o acesso ao blogue dela. Depois contactei-a e ela concordou que era melhor permitir que seja eu a terminar a história.
– Dessa eu não estava à espera!
– JP, eu sabia que não estavas à espera. Mas agora, preciso de saber uma coisa.
– O quê?
– Quem ganhou?
– Foste tu, D, foste tu!
– Obrigada, JP!

Dulce Morais

—-FIM—-

——————————————

Caros leitores,
Quero agradecer à amiga Isa E., autora do blogue “Diário De Um Ano Bom”, pela sua amável ajuda na solução do problema quase impossível a resolver que o meu co-autor me colocou no seu capítulo XVII. Foi com muito boa disposição que participou no plano inventado para tramar o João Paulo e conseguir terminar a história tal como previsto.
Em primeiro lugar, ofereceu a sua boa disposição. Em seguida, contribuiu enviando um email preocupado ao João Paulo a explicar que tinha perdido acesso ao seu fantástico blogue “Diário De Um Ano Bom”.
Amigo João Paulo,
A tua jogada foi absolutamente fantástica! Muito original, muito bem pensada… ou quase. Esqueceste-te só de um detalhe: as mulheres apoiam-se entre elas! Um abraço e até à próxima aventura de escrita.
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10 respostas a Por causa dA Dívida – XVIII

  1. Olá JP, O teu está no comentário que acabei de deixar no teu blogue!Abraço.

  2. JP, já estou a tremer! hahahahaEstou à espera!

  3. Olá Amigos e Amigas… Dulce Morais publicou o último capítulo de "Por causa dA Dívida" e acha que ganhou a batalha da escrita com a ajuda de ISA E. – essas duas são muito carinhosas e lhes quero muito bem, mas pensem que ganharam essa batalha!!! me aguardem…Leiam este anúncio e tenham medo, muito meeedo… http://mailsparaaminhairma.blogspot.pt/2012/07/por-causa-da-divida-xviii.html

  4. Marisete, você ainda hoje vai participar de uma!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Marisette, Obrigada pela leitura e pelo comentário. Ainda bem que gostou. Abraço e uma excelente semana para si também!

  6. Muito legal a brincadeira, quando inventarem outra eu até que gostaria de participar.Um carinhoso abraço e uma ótima semana!

  7. ISA E. Obrigado pela sua colaboração. Você foi fantástica e… apesar de apoiar a Dulce para me tramar, eu a desculpo e envio para si todo o meu carinho porque assim o jogo foi muito mais divertido e claro… foi tudo por causa da dívida!!!Obrigado ainda por disponibilizar seu blogue para estas loucas brincadeiras… seus amigos e leitores ainda devem estar a pensar "mas onde é que a ISA E. se foi meter?!"Dulce, não perdes pela demora!

  8. Isa,Concordo plenamente: foi tudo "Por causa dA Dívida"!Obrigada pela sua boa disposição!Muitos beijos.

  9. Isa E. diz:

    Dulce e João, Muito obrigada pela incrível diversão que ambos me proporcionaram!!!O final foi muito feliz e todos saíram ganhando! Bem, ao menos podemos dizer que ninguém saiu perdendo tanto…E não poderia ter sido diferente, afinal, ninguém teve culpa alguma, foi tudo por causa da dívida!!! Muitos beijos!

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