No Espaço

Arte: Rigoberto Alvarado

Arte: Rigoberto Alvarado

No Espaço

Em cada nota que li
sonhei no sono que me aflige,
vi mensagens escondidas
que a minha imaginação dirige.
E as palavras que deveriam chegar-me
fogem, escorregam da minha pluma;
não há forma de dizer-te
os desvios que segui.
Estou presa em mim mesma,
nos sonhos que já fiz e me escapam,
nos que ainda me levam
a outros mundos,
outras paisagens.
E não tenho ritmo,
nem rimas com sabor a magia,
só me nascem no peito
gestos ocos,
no vazio que me habita.
Sei apenas o que não sou,
e tu já foste onde eu vou.
Abri uma flor
mas nela não consigo ler;
os olhos fechados não permitem ver.
Poderei eu ainda abri-los?
Saberei eu ainda falar?
Ou mais palavras devo calar?

Dulce Morais

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12 respostas a No Espaço

  1. Se fosse só por palavras, nos faltariam muito para comunicarmos, contudo, as suas nos dizem muito. Bjos.

  2. “Em cada nota que li
    sonhei no sono que me aflige,
    vi mensagens escondidas
    que a minha imaginação dirige.”

    Ontem foi um dia assim para mim !

    Calar? Claro que não. Bom seria se todos escrevessem palavras que de alguma forma nos ajudassem a nos tornarmos sempre melhores. Como é o seu caso.

  3. Marco Rocca diz:

    Excelente poema! Estou fascinado com suas poesias, debatem o “eu”. E são desses poemas que gosto. Parabéns poetisa!

  4. Ruthia diz:

    A Dulce a escrever sobre a falta de palavras, rimas e ritmos, quando escreve desta forma, chega a ser paradoxal. Mas passou o sentimento que nos assalta tantas vezes na perfeição.
    Um beijinho e um doce domingo
    Ruthia d’O Berço do Mundo

  5. Certas coisas transcendem o olhar físico. Elas flutuam numa atmosfera espiritual onde a alma sempre vê. Da mesma forma são as palavras… Há aquelas que não precisam ser ditas e mesmo assim elas ecoam e são ouvidas… Belíssimo Dulce! Ouvi cada palavra não pronunciada e vi cada gesto com elas implícito… Gr. BJ.!

    • Há histórias contadas nas palavras caladas. Há, também, toques de magia nas palavras ditas, sobretudo quando vêm de pessoas como tu.
      Obrigada, Cris!
      Beijinhos!

  6. Isa Lisboa diz:

    Dulce,
    Por vezes precisamos fechar os olhos para ver! Nem que seja de forma a desabituá-los daquela luz habitual, e abri-los prontos para luzes novas! Calar as palavras? Apenas as que não são necessárias, as outras, dizê-las sempre!
    Um beijinho

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