O Tempo Perdido

Imagem: Oleg Tiunchik

Imagem: Oleg Tiunchik

O Tempo Perdido

Antes de mais, devo dizer que perdi tempo ao nascer. A coisa poderia ter acontecido assim, repentinamente, mas o caso demorou meses antes de ser possível despertar à vida.

Em seguida, perdi tempo a crescer. Ainda não compreendi a razão da necessidade de um desenvolvimento tão lento para atingir a idade que oferece, enfim, o sabor a independência.

Também perdi, claro, tempo a aprender. Os gestos, os passos, as palavras, primeiro, seguidos pelas noções pouco claras do que é considerado conhecimento. A acumulação de informações, inútil e rebarbativa, preenche ainda hoje as caixinhas da memória.

Continuei por perder tempo a experimentar. De tudo um pouco, admito. Tantas tentativas abortadas, tantas confusões criadas por falta do que se chama experiência. Não poderíamos nós vir ao mundo tendo já a certeza dos métodos que levam ao objetivo desejado?

Perdi ainda algum tempo a ensinar. Aí reside o inquebrável círculo criado pela necessidade da aprendizagem; quem já perdeu tempo a aprender, terá também de perder tempo a ensinar aos outros o que já lhe inculcaram.

Enfim, perdi tempo a escrever…

palavras inúteis para vos dizer, que apenas a última afirmação é verdade.

Recebi a vida como um presente.

Cresci lentamente nos braços de quem me amou.

Aprendi pouco, mas tenho esperança de continuar atenta a todas as lições da vida.

Das experiências infelizes, recebi a possibilidade de saber que nada é vão e que cada uma é um tesouro.

Quando foi a minha vez de ensinar, descobri que se trata de uma das mais belas felicidades, que de ver os seres amados ganhar asas para voar.

E se perdi tempo a escrever estas palavras, peço a vossa indulgência.
Foi para libertar espaço na mente para outras loucuras que por ela passeiam.

Dulce Morais

Este texto foi originalmente publicado
no Tubo de Ensaio – Laboratório das artes
que vos convido a visitar.

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3 respostas a O Tempo Perdido

  1. Apenas te peço que libere espaço sempre em tua mente pois tudo que escreves me traz um alento enorme. Um brinde minha querida à todas as suas divagações! Gr. Bj.!

  2. Dulce, como já a acompanho faz algum tempo, consigo sentir muito do que você escreve e fiquei bastante envolvido na sequência dessa sua postagem. Essa sua perda de tempo tem trazido muitos exemplos e muitas alegrias a todos nós. Você é muito forte e muito gente.
    Um abração carinhoso na amiga querida,
    Manoel

  3. Ana Silvia Andrade diz:

    Dulce,
    Que Deus abençoe essa paz que passas na beleza e candura de tua poesia.
    Impagável!

Obrigada pelo vosso comentário!

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