Canções em línguas estranhas

Arte: Karina Ishkhanova

Arte: Karina Ishkhanova

Canções em línguas estranhas

Há em mim uma menina
Que corre pelos trigais em flor
De mão dada com as nuvens,
Que canta sem perceber as palavras
Canções em línguas estranhas.
Resta dentro de mim
Uma infância errante
Guiada pela tua mão segura
Aos confins do mundo a descobrir.

Há em ti uma mulher
Ferida pela vida
Mas sempre feliz.
Que sabe ver a alegria
Em cada flor, em cada olhar.
As rugas no teu rosto
Não apagaram os olhos risonhos,
Não esconderam o sorriso meigo,
Nem a doçura da mão
Que ainda aperta a minha.

Muitos cruzaram as nossas vidas,
Alguns a deixaram,
Outros só passaram,
Poucos ficaram.
Mas o que resta depois de tantos anos
És tu.
Sou eu.
É a cumplicidade que nos une.
As mágoas saradas em conjunto.
As felicidades vividas a teu lado.

Abre ainda o teu coração
À vida que foge lentamente.
Ouve mais uma canção,
Canta as palavras delicadamente.
Segura ainda a mão
Que te ofereço ternamente.

Dulce Morais

Nota: Este poema foi publicado nestas páginas em novembro 2012.
É hoje reeditado em memória do ser excecional que o inspirou.
A América M. A.
1927 – 2014

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12 respostas a Canções em línguas estranhas

  1. Isa Lisboa diz:

    Dulce,
    As pessoas que marcam a nossa vida nunca saem dela, permanecem sempre nas memórias mais doces! Um beijinho

  2. maravilha de poema!! obrigada pela partilha 🙂

  3. Dulce, adorei o seu poema. Ele possui momentos importantes da vida humana.

  4. Minha querida Dulce,

    É exatamente assim como dissestes nesse lindo poema, muitos cruzam nossas vidas… Arrisco dizer que só permanecem aqueles que são importantes e nos acrescentam, mesmo quando partem. De mim, pego carona nessa mão estendida. Pessoas como você não passam. Gr. Bj. minha linda!

    • Minha doce Cris,
      Uma mão aceita a outra e juntas seguem o caminho para elas traçado.
      Penso teres razão: só restam aqueles que nos fazem crescer… e tu fazes parte deles!
      Beijinho e abraço para ti.

  5. “Abre ainda o teu coração
    À vida que foge lentamente.
    Ouve mais uma canção,
    Canta as palavras delicadamente.
    Segura ainda a mão
    Que te ofereço ternamente.”

    Que poema bonito… Não conhecia. Muito bonito mesmo!

  6. Dulce, que poema lindo. Sensível homenagem. Gostei muito.
    Grande abraço,
    Manoel

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