(trans)Formação – Parte IV

Arte: Guy Le Coz www.artmajeur.com

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(trans)Formação – Parte IV

(clique aqui para ler os capítulos anteriores)

O tempo passa e a calma regressa. Claro que ainda ardo por dentro, mas esse calor já não me atormenta. Já sinto o balanço da dor pela carícia dos seres à minha superfície. Agora posso sentir os que gravam no meu solo pegadas que guardarei para sempre.

Já são tantos, os meus filhos! E tão diversos. Surpreende-me o poder e as capacidades da minha criação. É incrível, a vida!

Dependo agora dela para continuar a desenvolver-me, como ela depende de mim para continuar a sobreviver e a evoluir. Como é bom sentir o respeito dos seres que me povoam. Respeita-me, vida, eu que te criei. Enquanto assim for, providenciar-te-ei tudo o que te for necessário.
Cuidado, vida, de nunca me magoar à superfície. Não aguentaria mais nenhuma dor. A minha existência já me causou tantas mágoas…

Explora-me, vida. Evolui, cresce e desenvolve-te. Mas nunca esqueças de quem dependes para existir.
Contigo à minha superfície, talvez um dia me atreva a abrir novamente os olhos.

Diz-me, vida; podes tu sentir por perto a parte que tanta falta me faz? Será possível que esteja ainda aqui, não longe de mim? Será ela que faz subir as gotas dos oceanos e te permite contar e gravar os ciclos do tempo?
Respeita-a, vida. Respeita essa parte de mim, pois ela é eu e eu sou ela.

continua…

Dulce Morais

Arte: Phil Perkins Fonte: http://fineartamerica.com/

Arte: Phil Perkins
Fonte: http://fineartamerica.com/

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22 respostas a (trans)Formação – Parte IV

  1. Adorei o conto amiga Dulce. Muito interessante a sua visão do nascimento da Terra e de toda a vida. No aguardo da continuação. Um grande abraço

  2. +Palavras ao Vento diz:

    Cara Dulce.
    Permita-me repetir:
    “Diz-me, vida; podes tu sentir por perto a parte que tanta falta me faz? Será possível que esteja ainda aqui, não longe de mim? Será ela que faz subir as gotas dos oceanos e te permite contar e gravar os ciclos do tempo?
    Respeita-a, vida. Respeita essa parte de mim, pois ela é eu e eu sou ela.”
    Grande abraço!

  3. Dulce que linda partilha que inspira …

  4. Isa E. diz:

    Dulce, minha amiga, será esse o segredo para mantermos o nosso edifício em pé mesmo depois de perdermos alguns pilares?
    (trans) Formação…
    Dentro de nós, uma pequena semente do divino poder de criar.

    Aguardo com ansiedade o próximo capítulo!
    Beijos e saudade!

  5. Dulce, gostei muito! Achei muito profundo, parece dizer sobre outra dimensão, algo que fala diretamente sobre a vida, que é agora e também sobre algo além da matéria. Parabéns, Dulce!

  6. É a vida e é bonita, é bonita

  7. mochiaro diz:

    Dulce

    O calor que tu sentes, em semelhança, é o calor da criação que mora nas entranhas alimentando o existir. Um fogo em criação que depende de elementos que lhe são fundamentais dentro desse espaço criado pelo Grande Arquiteto do Universo.
    Em si ainda persiste uma transformação contínua alimentada por elementos herdados pela criação/ origem e que de vez em quando vomita larvas em fogo gritante.
    Mas num todo existe ainda uma serena paz e evolução.
    Em todo choque algo, que mantinha em massa constante, se separa e quando acoplado novamente não volta à perfeição; a parte vagueia por entre esse infinito espaço estrelar e planetário.
    Em uns o calor é exterior como disseste e em outro não.
    Diria que em uns há vida e em outro não.
    Mas se pesquisar em tentação algo em semelhança terá.
    No pedaço que se foi e no restante que ficou uma ligação, diria um sentimento, ainda mantem em chama acessa.
    Um magnetismo, uma força até espiritual, gira como um satélite em torno de si.
    Quem cala consente, diz um ditado popular, mas, não é bem assim que persiste. O silêncio permite que os seres que em ti foram criados têm a liberdade de agir sem domínio na continuação da espécie ou até na melhoria ambiental.
    Se de ti no choque ou implosão como disseste no primeiro texto e diria, talvez, em implosão; a imperfeição de fato foi encoberta tal como uma vegetação a recuperar o vazio do que lhe foi tirado do solo.
    Um ser a quem lhe foi dado à vida nem sempre reconhece ou agradece ao solo mãe.
    Uns destroem o solo que lhe permite viver em existência e se tornam até egoísta..
    O que lhe resta é o alicerce onde mantém a atuação das forças da natureza.
    Respiro o ar emitido; bebo da água que transborda, sinto o calor que dele exala, no pedaço que lhe falta cubro com um manto celestial e me calo em pensamentos voltados a conclusão do texto “V”.
    Um querido abraço e beijos carinhosos
    mochiaro

    • Mochiaro,
      Ler um comentário seu é ler um livro onde fomos retratados, onde as nossas estórias foram colocadas para que possamos observá-las do exterior e melhor apreendê-las… Obrigada pela sua presença!
      Um enorme abraço!

  8. Ruthia diz:

    Que doce apelo. Será possível resistir-lhe? Aguardo o desfecho com muita ansiedade.
    Beijinho querida Dulce
    Ruthia d’O Berço do Mundo

    P.S. Estive tão perto da Dulce. Ainda pensei marcar um café. Mas cheguei no sábado depois do almoço e regressei no domingo à tarde, nem consegui pôr toda a conversa em dia com a Joana. Há 3 anos que não ia para esses lados…

  9. +Palavras ao Vento diz:

    Encantador, Dulce… Quase posso sentir com você, tal a maestria com que conduzes as palavras.
    Parabéns, minha Cara Dulce!
    PS: Aguardando a Parte V…
    Grande abraço!

  10. Tenho acompanhado essa série e nunca uma personificação me fez sentir tão perfeitamente esse sentimento. Sensacional Dulce! A forma como você tem colocado o sentimento tem sido simplesmente tão envolvente e reflexiva… Parabéns por essa forma maravilhosa de expressar algo tão importante no contexto atual.

    Gr. Bj.!

    • Cris,
      E se ela pudesse falar? Achas que gritaria e pediria socorro?
      O quinto e último capítulo é para breve.
      Bem sei que somos insignificantes, mas é bom relembrar de quando em vez que estamos apenas de passagem…
      Beijinhos grandes!

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