Raízes

Foto: Brian Carter

Foto: Brian Carter

Raízes

Do solo nada me veio
Além do nutrimento
Que conservo no meu seio.

Da água nada guardei
Se não o alívio
Da sede que matei.

Do céu pouco recebi.
Apenas a luz
E os raios que bebi.

No todo, nada sou,
Ou somente a insignificância.
Encolhida me vou.

Dulce Morais

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27 respostas a Raízes

  1. Amada amiga,

    o que mais importa ao final é que retenhamos o essencial. Senti que teu poema reavivou em mim esse valor. Belíssimo, como tudo que escreves.

    Gr. Bj.!

    • Querida Cris,
      Belíssimo é esse teu coração doce!
      Continuar a receber o essencial do que está ao nosso alcance, e recomeçar o círculo infinito da vida…
      Beijinho enorme!

  2. Vanessa diz:

    Dulce, que prazer ler novamente teus textos! 🙂

    Amei este poema, costumo sentir que não sou parte de nenhum lugar específico. Acho mais é que sou parte de todo lugar!

    Abraço

  3. Bela reflexão, Dulce. Como humanos acho que duas grandes questões nos perturbam. Uma é essa nossa essência coletiva e a outra da individualidade. Por um lado não conseguimos viver sozinhos, queremos ser parte do coletivo, do todo e por outro lado queremos ser percebidos como algo singular. Parabéns pelos versos!

  4. Sim, o tempo e as inevitáveis desilusões a todos encolhe. Mas essa consciência de nossa pouca importância e de nossa finitude diante dessa vastidão do mundo nos dá também a liberdade de usufruirmos mais plenamente o que for possível.
    Dulce, que belo poema e que alegria tê-la de volta. Acho que você não tem ideia da sua importância para muitos de nós.
    Beijos!

  5. Isa Lisboa diz:

    No todo, nada somos, mas ao mesmo tempo tudo o somos. Por isso, há que plantar sementes na nossa alma e deixá-las criar raízes! 🙂

  6. Nem simples, nem adorável. Simples e adorável.

  7. Clau Assi diz:

    Enclausurados dentro de si… lindo seu poema.
    Beijo ternurento

  8. Muito Bom! Parabéns. Regresso promissor! Beijinho.

  9. Ruthia diz:

    Insignificantes no universo e, contudo, a natureza nutre-nos como a um filho querido. Mesmo quando nos esquecemos de agradecer. Portanto, nada de se encolher, antes crescer em sentimento e poesia.
    Sabendo que é amada e que sentem a sua falta.
    Bem vinda de volta.
    Beijinhos
    Ruthia d’O Berço do Mundo

  10. Seu poema me fez pensar em tantas coisas: alguns olhares, algumas lágrimas e tantas gotas de saudades. Pensei em mim e em outras pessoas. Fiquei em silêncio e absorvi cada letra escrita aqui.

    O que eu posso esperar do verso que joguei no mar?

    Lindo!!

    Beijos e linda noite de sábado!!^^

  11. “No todo, nada sou”
    E quando reconhecemos essa máxima, a tendência é a evolução.
    Beijos.
    Tão bom ler-te.
    Beijos.

  12. Prezada Dulce Morais quero parabenizá-la pela beleza poética de seu poema, pela profundidade mágica expressa nas entrelinhas, capazes de tocar o coração de quem o lê. Maravilhoso é o predicado adequado a sua obra. Obrigado por compartilhá-la conosco. Hoje e sempre, desejo-lhe saúde e felicidades.
    Robert Thomaz

  13. Certa vez, encontrei uma pessoa e tivemos um diálogo. Passo a repetir apenas as palavras que dele ouvi. Não sei se é pertinente ao seu texto, porém, foi dele que surgiu a lembrança do que passo a transcrever.
    Encolhido… Houve um momento em que também me encolhi… Mas o tempo foi passando – e a idade chegando – em que encolhido fiquei e sou eu hoje. Que fazer… Meu desencanto já passou, mas continua comigo. Foram sonhos sonhados e irrealizáveis… Fazer o quê? Uma boa pergunta e que já me fiz… Hoje não pergunto mais, vou em frente, pois não há outro caminho a não ser a desistência de continuar vivendo… Muitas vezes – no passado não tão distante – já tentei isso. Não consegui. Por quê? Não sei, apenas isso. Então, vivo com o que tenho e,, senti que a vida não é como eu pensei que pudesse ser. Então, vou levando… Uma alegria aqui, outra ali… Tristezas igualmente… Viver é isto! Assim, consciente disso, vou vivendo… Não há sorte maior e nem menor… Apenas é assim e ponto final. Triste isso? Sim é muito triste… Mas foi o que seu texto me fez lembrar.

    • E.P.,
      Acredito que os sonhos só são irrealizáveis se assim forem qualificados. Mas acontece que sejam adiados tanto tempo, escondidos tão profundamente, que nos esqueçamos deles e os obrigamos a encolher, levando a nossa alma a fazer igual.
      Podemos depois escolher entre esse estado por nós, indiretamente, decidido, ou desabrochar novamente para viver… e não apenas sobreviver.
      Mas, mesmo que a corola volte a abrir, nada somos e nada seremos na imensidão do Universo. Não será o importante, afinal, apenas ser o melhor que nos é possível sem preconceito nem vergonha?
      Deixemos as raízes segurar-nos, o sol, a chuva e a água alimentar-nos, e tudo será possível!
      Um abraço com a minha sincera gratidão pela reflexão que os seus comentários sempre inspiram.

      • Sem dúvida, Dulce. Devemos procurar ser o melhor do que quer que nós sejamos.
        Grato por seu precioso Comentário, Dulce.
        Um grande abraço!

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