Onde fica o Natal?

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Onde fica o Natal?

Chegou, uma vez mais, a hora do Natal. É o momento de desejar a todos os que nos rodeiam felicidade, amizade e amor, muitos presentes, boa disposição e tudo o que sabemos ser o melhor para que o sorriso se desenhe em cada rosto amigo.
Desejamos isso tudo quase sem pensar, mesmo sem sentir.

Sabemos que a época do ano é propícia ao perdão, à generosidade, mas isso não deve ser razão para nos questionar demasiado sobre nós. E, afinal, perdão a quem nos magoou, a quem nos ignorou, a quem não nos deseja bem, é possível, mas todos nós pensamos, de uma forma ou outra, que há coisas que não podem perdoar-se. Mas será?

Sem querer aqui referir-me aos crimes que, eles, são punidos pela lei e cujo castigo pertence aos juízes e tribunais do mundo, interrogo-me se, na nossa interação quotidiana no mundo, na nossa vida de todos os dias, nos nossos relacionamentos com outrem, existem erros realmente imperdoáveis.

Quando o amor (e refiro-me aqui a todos os aspectos desse sentimento, nomeadamente ao amor-amizade e não só ao amor dentro de um casal) é verdadeiro e sincero, ainda acredito que seja possível perdoar. A confiança ela, só pode restabelecer-se depois de um perdão sincero e profundo. Para poder de novo confiar, é preciso reconstruir o castelo que foi destruído pela mágoa. E essa construção só pode fazer-se com a colaboração das duas partes: a que oferece o perdão e a que o recebe.

Conheço pessoas que perdoaram actos que muitos outros teriam considerado como imperdoáveis. Lembro-me ainda da mãe que, tendo enterrado o seu filho ainda criança, procurou e encontrou o condutor do automóvel que lhe roubara o seu querido amor, e lhe escreveu uma longa carta onde lhe dizia que o mais importante era ele perdoar-se a si mesmo. Ela, por seu lado, não lhe guardava rancor.

Um tal acto pode parecer impossível a muitos de nós. Custa-me saber o que eu faria no lugar daquela mãe. É preciso enfrentar momentos como os que ela enfrentou para saber o que realmente sentimos.

Mas sei uma coisa: o perdão aos outros deve começar pelo perdão a nós próprios.

Quando o meu filho era pequenino, costumava perguntar-me onde ficava o Natal durante os outros dias do ano. Admito que nunca soube responder-lhe corretamente o que não deixou de provocar nele um certo desapontamento.
Pela primeira vez, este ano, soube o que lhe dizer, e assim fiz:

“O Natal, durante todos os outros dias do ano, vive no coração dos que amam sinceramente, dos que encontram a luz e que, dia após dia, partilham o pouco que têm, dão a quem tem menos que eles e, sobretudo, talvez ele viva com mais intensidade naqueles que têm a capacidade de perdoar a quem os magoou, a quem não consegue perdoar-se a si próprio.”

Depois de muito pensar, o meu filho respondeu-me:

“Então o Natal só deve viver mesmo no coração de Jesus.”

Deixo este pensamento a cada um de vós que por aqui passa e desejo que este Natal preencha os vossos corações de alegria, de amor e sinceridade e que essa paz possa conservar-se em cada coração para sempre.

Até breve!

Dulce

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12 respostas a Onde fica o Natal?

  1. Paloma Silva diz:

    Só vi agora, mas menina do céu: Você tem o filho mais esperto do mundo!

    O natal dá uma sumida às vezes ao longo do ano, maaas como ele está sempre no coração de Jesus, aquele que precisa tem o natal quando for preciso.

    Adorei!

    UM FELIZ 2016!

  2. Muito obrigado, minha querida Dulce Morais por compartilhar conosco tão luminosas palavras!

  3. GLUOSNIS diz:

    FELIZ NATAL !!!!!!
    GLUOSNIS – Lithuania

  4. roccalex1 diz:

    No natal esquecemos das diferenças, das mágoas e vivemos em harmonia. Mas uma harmonia de um dia…
    Deveríamos ter 365 dias de natal.
    Um beijo enorme e parabéns pelo texto, amiga querida.
    Alex

  5. Ruthia diz:

    Também não sei se conseguiria agir como essa mãe que perdoou a quem lhe roubou o filho. Sei que exigiria um longo, longo, luto e muita, muita, dor até a palavra perdão se desenhar no horizonte.
    Ainda que as palavras sejam demasiado rotineiras, nesta altura do ano, não podia desejar a alguém um Feliz Natal se não o sentisse no meu coração. Assim, aproveito para lhe desejar umas doces festas e um 2016 com alegrias, muita saúde e sabedoria, como a que prova a sua resposta.
    Beijinho Dulce, sou muito grata pela sua companhia virtual ao longo do ano. Obrigada
    Ruthia d’O Berço do Mundo

  6. mariel diz:

    Um legitimo Dulce. Leve, suave e que convida a esperança pra tomar agua fresca.

  7. Dulce, querida, que tema mais apropriado para o natal. A comemoração do aniversário daquele que, da cruz, perdoou os próprios algozes! O que de tão importante assim há no perdão para que Jesus no-lo tenha deixado como sua derradeira lição? Obrigado pelo texto inspirado! Um natal cheio de amor, paz e… perdão!

  8. O que não entendo é que tais sentimentos só fiquem em voga nessa época. E, entendo menos ainda, que após essa época, eles durmam. Somos movidos demais por ventos fortes, quando na verdade a menor brisa deveria nos conduzir no caminho certo. A sabedoria do Ciryl comove meu coração. Bjo grande em vocês e um Natal e novo ano cheios de amor e renovação. Amo vocês!

  9. Uma magnífica Aula de Sapiência, perfeita, ajustada ao Tempo que nos envolve. Pois, o Natal vive, mesmo, no nosso Coração enquanto partilha de Amor. Parabéns.
    Te desejo o envolvimento dum Santo e Feliz Natal na Paz da tua casa.

    Beijo
    SOL

  10. Belíssima e memorável reflexão.
    Muita luz, saúde e amor.

  11. Sandro Panografia diz:

    Um texto maravilhoso que nos leva a muitas reflexões, Dulce! Desejo a você e toda sua família um feliz natal recheado de muito amor, paz e saúde ! Um grande beijo no seu coração !

  12. Tugazzar diz:

    muito bom!


    que este seja um tempo de alegria, de saúde, de paz, de realização, mas, também, de fraternidade, de compreensão e de esperança. e que este tempo se prolongue por todos os dias, de todos os anos, para si e para todos os que, de qualquer forma, lhe são queridos e/ou próximos.

    até breve!

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