Palavras do Mundo

Arte: Charles Sowers Ice window http://charlessowers.com/

Arte: Charles Sowers
Ice window
http://charlessowers.com/

Palavras do Mundo

Do alto destas montanhas
vejo o meu azul
há muito construído
para acolher a vida.
Tanto a desenvolvi,
diversifiquei e amei,
que permiti a alguns
dele sair
para no verde e castanho viver.
No equilíbrio que criei
viviam em mim.
Deixavam-me respirar.

Nos meus desertos
tantas vidas cultivadas.
Na areia escaldante
seres que ninguém imaginava.
Escondidos entre os grãos,
reproduziam e perpetuavam
o meu desejo, a minha existência.
Respeitavam sem o saber
a fragilidade do meu ser.

Veio então aquele,
arrogante e inconsciente,
que tudo desejava
sem nada saber.
Tanto multiplicou,
tanto manipulou,
e pretendeu desenvolver,
que agora olha para trás
e questiona:
“Ó Mundo, porque mais não me dás?”

Não dou porque me queimaste,
os meus pulmões arrancaste.
As minhas veias despedaçadas
não contêm mais sangue.
Nem azul. Nem negro.
Não tenho mais ar.
Sufoco sob o teu jugo.

Morrerás também,
pois sem mim não podes ser.
Já é tarde para salvar-te.
Ninguém, sem mim, pode viver.

Dulce Morais

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