Na Montanha

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Na Montanha

Ninguém sabe onde começa;
debaixo da terra ou à superfície.
Sabemos apenas, ou adivinhamos,
que nasceu de um tumulto,
de lava outrora revoltada,
de rocha empurrada
das entranhas do planeta,
da cólera de um mundo em construção.

Lentamente se formou,
subindo metro após metro,
até alturas incalculáveis,
levando com ela cada parcela de terra,
acumulando a história
de um passado há muito esquecido.

Da sua base conhecemos
os contornos e a vegetação,
cada pedra tombada,
cada passo percorrido.
Quem decide tentar conquistá-la
atreve-se à escalada
para descobrir a evolução
do declive doce ou abrupto,
que alterna entre o acolhedor e o hostil.

Passo a passo sobe,
o olhar atento a cada alteração
da paisagem com sabor a eternidade.
O topo chama a mente
num clamor branco
pela neve pintado.
São necessárias à ascensão
coragem e determinação,
segurança,
confiança
e fé.

Quando enfim se avista
o tão desejado cume,
compreende-se sem dor
que o que se procura não está ali.
Foi deixado no caminho,
em cada pedra galgada,
em cada árvore admirada,
em cada riacho atravessado.

Inicia-se então
a descida inevitável
até ao nível da partida.
Consciente a atenta,
a caminhada se faz lenta.
É mais fácil observar
sabendo que cada momento
na alma se vai gravar.

Dulce Morais

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Uma resposta a Na Montanha

  1. Bom vê-la publicar neste blogue, Dulce. Bom ver esse caminho ser percorrido…

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